No final do ano passado publiquei um artigo explicando as principais regras da nova tributação das altas rendas, quem está sujeito ao imposto mínimo e como ele já está sendo calculado. Se você ainda não leu, vale a pena começar por ele. Clique aqui.
Agora, quero abordar uma questão diferente, mas complementar: será que esse imposto de altas rendas é para você?
Para quem é o imposto de altas rendas
Praticamente todas as discussões sobre a nova lei têm sido em torno da tributação dos dividendos para quem é empresário e distribui mais de R$ 50 mil por mês ou acima de R$ 600 mil por ano. Com isso, muitas pessoas concluíram que essa mudança não teria qualquer impacto sobre elas. Afinal, recebem poucos dividendos ou nem sequer são empresárias.
Só que essa conclusão pode estar errada…
O imposto mínimo não considera apenas os dividendos. Ele considera a renda global, ou seja, a soma de diversas fontes de renda ao longo do ano.
Imagine alguém que receba um salário elevado, tenha um imóvel alugado, possua uma carteira de investimentos que gere bons rendimentos e ainda receba uma pequena quantia de dividendos. Individualmente, nenhuma dessas fontes de renda parece chamar tanta atenção. Mas, quando somadas, podem ultrapassar os R$ 600 mil anuais e enquadrar essa pessoa na nova regra.
Imagine alguém que receba:
- R$ 250 mil de salário;
- R$ 100 mil de aluguéis;
- R$ 60 mil de rendimentos de CDB;
- R$ 300 mil de dividendos.
Essa pessoa provavelmente nunca se preocupou com a tributação das altas rendas, pois os dividendos representam apenas uma parte dos seus ganhos. Mas, apesar de terem sido de R$ 300 mil, somando todas as suas rendas o valor já ultrapassou os R$ 600 mil anuais.
Antes de continuar a leitura, convido você a fazer uma simulação.
Descubra se essa nova regra realmente pode afetar você.
Talvez o resultado tenha surpreendido você…
A maior parte das pessoas tem concentrado a atenção apenas nos dividendos. No entanto, a nova tributação considera o conjunto das fontes de renda da pessoa física, ou seja, a renda global, com algumas exceções de rendimentos de investimentos isentos, conforme a legislação. Clique aqui para saber quais rendimentos estão fora da conta da renda global para a tributação mínima.
Independentemente do resultado, essa nova legislação trouxe uma mudança importante: agora passa a ser necessário olhar as finanças de forma mais integrada.
Imposto de altas rendas: perguntas e respostas
Se a simulação indicar que você poderá estar sujeito ao imposto mínimo, algumas perguntas deveriam passar a fazer parte do planejamento financeiro:
- Quanto já recebi de renda ao longo do ano?
Não basta acompanhar apenas os dividendos. Salários, pró-labore, aluguéis, rendimentos de investimentos (verificar as exceções) devem ser considerados também, pois esses rendimentos influenciam a base de cálculo para a tributação mínima das altas rendas.
- Quanto de imposto já recolhi ao longo do ano?
Esse também passa a ser um dado relevante na análise, já que os tributos pagos na fonte ou via DARF influenciam o quanto já foi pago referente ao imposto mínimo.
- Minha carteira de investimentos continua fazendo sentido?
Até aqui, a escolha dos investimentos levava em consideração a rentabilidade líquida, o risco e a liquidez. Para algumas pessoas, a nova legislação acrescenta mais uma variável: como aquele investimento influencia o somatório da renda considerada para o imposto mínimo.
Perceba que nenhuma dessas perguntas pode ser respondida olhando apenas para uma parte da renda anual. Com a nova tributação das altas rendas, todas elas passam a fazer parte de uma visão integrada da vida financeira de cada.
É justamente por isso que o planejamento financeiro se torna ainda mais importante. O desafio passa a ser o acompanhamento minucioso das diferentes fontes de renda e a soma dos impostos pagos, considerando as novas regras tributárias.
Se a sua simulação mostrou que essa nova tributação pode afetar você, talvez este seja um bom momento para revisar seu planejamento financeiro de forma integrada. Afinal, quando diferentes decisões começam a produzir efeitos umas sobre as outras, enxergar o todo passa a ser tão importante quanto analisar cada parte isoladamente.





