Autossabotagem: as mentiras que você conta para si mesmo sobre o dinheiro

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Sabe aquela dieta que você deixa para começar na segunda-feira? E aquele curso que você prometeu que faria mês que vem? E o que dizer da promessa de ir à academia? Essas coisas acontecem o tempo todo e muita gente vive se escondendo atrás dessas “mentiras” para justificar um comportamento que elas mesmas acreditam que precisaria mudar.

Pois é…  As pessoas mentem para si mesmas. Se enganam. E com o dinheiro, não poderia ser diferente… O problema é que elas mesmas são as maiores prejudicadas. Acabam sendo vítimas das suas próprias desculpas.

Essa é a chamada autossabotagem e volta e meia me deparo com casos assim nas finanças pessoais de meus amigos ou clientes…

Tendo como base uma entrevista que dei para o Portal Como Investir (clique aqui para acessar o artigo citado), coloquei aqui algumas das mentiras mais comuns que as pessoas contam para si mesmas. Vamos a elas…

 

“Mês que vem vou começar a economizar”

Esta é clássica! Por que você vai deixar para o futuro, algo que você pode fazer hoje? Mês que vem será outro mês. Até lá, você provavelmente terá se esquecido desta promessa, seja por conveniência, seja por displicência. O fato é: a melhor data para começar a economizar é agora! Está esperando o quê?

Tem uma palestra (TED) muito interessante do Shlomo Benartzi (um estudioso de finanças comportamentais, com ênfase em finanças pessoais), sobre economizar para o amanhã, amanhã. Ele nos mostra uma forma de utilizar as finanças comportamentais ao nosso favor: eis a solução para o problema! Se tivermos uma regra, uma forma de comprometimento de economizar mais amanhã, ficará mais fácil…. Ele sugere que passemos a economizar mais quando tivermos aumento, então não sentiremos tanto a diferença no orçamento. Clique aqui para assistir.

 

“Comprei baratinho, pois estava em liquidação”.

Se você não precisa de mais um sapato preto, além dos 20 que já possui, este novo calçado não é uma necessidade, e sim um desejo que poderia ter sido adiado. Se já comprou, não fique buscando desculpas – o dinheiro não foi bem empregado! Para quem está endividado então….. Melhor teria sido direcionar este montante para o pagamento das dívidas.

 

“Paguei em 10 vezes sem juros”

Você está tentando se enganar, ao “acreditar” que as parcelas não vão pesar no orçamento. De parcela em parcela, a dívida vai crescendo e elas acabam tomando uma parte relevante do orçamento.

Além disso, nunca é demais lembrar que, quando você paga à vista, pode barganhar um bom desconto. Então, aquele “10 x sem juros” acaba sendo uma enganação, do tipo “me engana que eu gosto”!

 

“Não consigo economizar porque ganho muito pouco”

Você já parou para pensar que o problema pode ser a saída de dinheiro e não a entrada? A questão, nem sempre é relativa ao quanto se ganha, mas sim, à falta de planejamento dos gastos.

Já cansei de ver pessoas famosas, que ganham alguns milhões, e que terminam endividadas, na “rua da amargura”, por não serem capazes de controlar as suas finanças.

Por outro lado, vi situações em que a pessoa todos os dias tomava um café com pão de queijo na padaria da esquina antes de ir para o trabalho e reclamava que não conseguia juntar dinheiro pra viajar no final do ano com a família. Mas, quando fizemos as contas de quanto custava este lanchinho diário, a cliente percebeu que estava gastando mal o dinheiro e que, se tivesse direcionado este valor para uma reserva, poderia viajar tranquilamente com a família.

 

“Não preciso de uma planilha de fluxo de caixa, pois sei exatamente quanto ganho e gasto”

Quando a pessoa me fala que não precisa controlar suas receitas e despesas, já sei que terminará surpresa com o tamanho da autossabotagem que está cometendo… Se você ainda não anota todas as suas despesas, assim que começar, vai se assustar com o quanto que gasta com coisas supérfluas.

As pessoas costumam subestimar o quanto gastam em produtos e serviços desnecessários. Em geral, percebo que elas conseguem ter uma noção de 60% dos gastos e os outros 40% vão escapando pelas mãos com ítens não recorrentes, aqueles de menor valor aparente ou que não sejam pagos por meio de boletos. São exemplos usuais disso os gastos com: roupas, presentes, restaurantes, viagens e lanches, por exemplo.

 

“Não tenho tempo para organizar minhas finanças”

Incrível como as pessoas investem tanto de seu tempo para ganhar dinheiro e muitas vezes não dedicam nem algumas horas do mês para cuidar dele.

Deixe essa desculpa de lado e organize as suas contas, preencha o fluxo de caixa, analise tudo e invista as suas economias. Eu sei que tudo isso toma tempo, mas é um tempo necessário. Basta ficar um pouco menos entretido nas redes sociais e dedicar o seu tempo ocioso para o que é realmente importante.

Muitas vezes as pessoas gastam tempo e dinheiro de forma equivocada. É preciso ficar atento para não cair nesta armadilha.

 

Essas frases são apenas alguns dos muitos exemplos de autossabotagem que existem por aí. Infelizmente, ela é uma prática muito comum quando se trata de finanças pessoais. Veja aqui este texto que conta mais algumas histórias parecidas com as que citei.

Pode até parecer engraçado, mas é exatamente isso que acontece quando o próprio cliente esconde do seu planejador financeiro (o profissional que ele contratou para lhe ajudar) que comprou uma bolsa nova ou que usou o cartão de crédito na viagem, além do valor estipulado para as compras. (clique aqui e descubra outros casos inusitados neste artigo da Revista Exame para o qual eu colaborei).

Graças a todos esses casos, venho estudando bastante a psicologia econômica, o que me ajuda a entender que não somos racionais na maior parte do tempo e que grande parte de nossas atitudes são guiadas pelas emoções. Pois afinal, percebi que a autossabotagem é muito comum quando se trata de finanças pessoais.