Taxa Selic 2019: mudança de paradigmas!

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Na semana passada, a taxa de juros básica no Brasil (a taxa SELIC) caiu para 6% ao ano. Essa mudança impacta diretamente a rentabilidade dos investimentos mais conservadores, a ponto de algumas pessoas se questionarem até se a renda fixa no país deixaria de existir. Mas isso não é uma verdade…

 

A taxa Selic e o “paraíso dos rentistas”…

Há muitos anos escuto falar que o nosso país é o “paraíso dos rentistas” (pessoas que vivem de renda, fruto de investimentos em renda fixa). Essa foi uma grande verdade por muito tempo, já que a taxa de juros básica da nossa economia sempre figurou entre as mais elevadas do planeta. Apenas para se ter uma ideia, mesmo depois do Plano Real, em 1997, essa taxa chegou a bater 45,9% ao ano.

Porém, em outros lugares do mundo, sobretudo nas nações mais desenvolvidas, quem investe em renda fixa conservadora não o faz com o intuito de ver crescer o seu patrimônio, mas sim para protegê-lo das oscilações do mercado. E isso não vai mudar por aqui também…

Inclusive, para a reserva de emergências, a renda fixa conservadora (fundos DI, CDB DI e Tesouro Selic, por exemplo) continuará sendo a indicação mais adequada. Não tem como tomar risco em um montante que poderá ser utilizado a qualquer momento. Imagina se na hora do resgate aquele ativo estiver em queda? Pois é…. Não tem como fugir da velha e boa renda fixa conservadora para a sua reserva de emergências.

Inclusive, no dia seguinte à queda, vários clientes me ligaram perguntando o que deveriam fazer com seus investimentos conservadores, se deveriam tomar mais risco e tal… Mas se estavam com a carteira diversificada e adequada de acordo com seu perfil de risco, não tem muito o que fazer. O que vai acontecer é que a partir de agora, a parte que estiver em renda fixa DI vai render menos e ponto.

A grande verdade é que, no Brasil muita gente ficou mal-acostumada com a ideia de multiplicar o patrimônio pessoal por meio da renda fixa, o que é uma anomalia, já que por ser um investimento de baixo risco deveria render pouco também.

Ao que tudo indica, estamos vivendo o final de um ciclo de ganhos fartos com risco mínimo no Brasil. Portanto, para aqueles que desejam ver seu patrimônio crescer de forma mais acelerada, mas mantinham seus investimentos praticamente 100% alocados em investimentos conservadores, será preciso tomar um pouco mais de risco, investindo em ações, fundos multimercado, fundos imobiliários…

Foi exatamente isso que revelei em uma matéria recente publicada pelo Globo: “já venho percebendo um movimento das pessoas buscando maior diversificação. Hoje em dia ser rentista, viver de renda fixa conservadora, já não está tão simples. As pessoas estão percebendo que vão ter que tomar um pouco mais de risco para conseguir uma boa remuneração.

Porém, é importante lembrar que antes de assumir mais riscos, deve-se analisar seu perfil de investidor e aplicar em uma carteira sempre de acordo com ele.

 

A taxa Selic em 2019

Há poucos dias, a Anbima divulgou a sua projeção para a taxa Selic até o final deste ano. Para o Grupo Consultivo Macroeconômico da instituição, a expectativa é que 2019 se encerre com uma taxa de 5,25% ao ano, enquanto a inflação deve terminar o ano em 3,8%.

Se as projeções se confirmarem, a renda fixa conservadora continuará perdendo fôlego como forma de investimento para aumento de patrimônio, passando a assumir cada vez mais o seu papel natural de proteção patrimonial.

Pois é, parece mesmo que investir no Brasil sem risco e com alta rentabilidade está ficando no passado.