Início de ano costuma ser sinônimo de aumento de gastos. Isso ocorre por conta das férias, material escolar, matrícula na escola e também pela cobrança de IPTU e IPVA. Por isso, muita gente fica se perguntando se deve pagar esses impostos à vista ou optar pelo parcelamento. É justamente nessa hora que surge a pergunta central: vale a pena parcelar o IPTU e o IPVA ou pagar a cota única?
Essa dúvida não é recorrente e sempre reaparece nesta época do ano. No Rio de Janeiro, os pagamentos do IPVA começam no dia 21 de janeiro, inicialmente para veículos com placas terminadas em 0. Já o IPTU tem vencimento da cota única ou da primeira parcela em 6 de fevereiro de 2026. Ou seja, o momento da decisão já está chegando.
Trouxe esse assunto aqui porque essa escolha não é tão simples quanto parece…
IPTU e IPVA: pagar à vista ou parcelar? O que você precisa saber!
Num primeiro momento, os percentuais de desconto para pagamento à vista podem parecer pouco atraentes, especialmente quando consideramos os investimentos atrelados ao CDI, que está rendendo hoje 15% ao ano. Mas a comparação dessa forma acaba nos enganando.
Então, para entender se o desconto realmente compensa, é preciso calcular a taxa de juros embutida nesse parcelamento, utilizando matemática financeira. Vou explica melhor…
Olhando rapidamente para o IPTU do Rio, que oferece 7% de desconto para pagamento à vista ou permite o parcelamento em até 10 vezes sem desconto, muita gente conclui que não vale a pena pagar à vista. O raciocínio costuma ser o seguinte: se os juros estão acima de 1% ao mês, deixar o dinheiro investido por 10 meses renderia um pouco mais do que 10%, que seria maior do que o desconto de 7%. Logo, parece melhor investir e parcelar o imposto.
Mas é aí que entram algumas pegadinhas importantes:
- a primeira parcela do IPTU vence na mesma data da cota única, ou seja, parte do dinheiro já sai do seu bolso logo de cara, antes mesmo começar a render;
- o valor do pagamento do imposto não fica todo investido por 10 meses. Ele vai sendo retirado aos poucos, mês a mês, para o pagamento das parcelas. Apenas a última parcela, de fato, fica investida por todo esse período.
Percebeu como a comparação não é tão simples? Aí, quando fazemos essa conta corretamente, considerando esse fluxo de pagamentos, chegamos a um resultado bem diferente da taxa embutida no desconto à vista.
No Rio de Janeiro, essa taxa embutida é de 1,65% ao mês. Isso quer dizer que, para que valesse a pena manter o dinheiro investido em vez de pagar o IPTU à vista, seria necessário que seus investimentos, já líquidos de impostos, rendessem mais do que isso. No caso do IPVA, essa taxa embutida é ainda maior, cerca de 3,13% ao mês.
Eu sei que não é uma conta trivial. E, além disso, muitos leitores não são do Rio de Janeiro e possuem condições diferentes de desconto e parcelamento. Por isso, deixei abaixo uma calculadora simples para te ajudar a fazer essas contas de acordo com a sua realidade.
IPTU e IPVA: empréstimo para pagar à vista, compensa?
Mas atenção, existe ainda um outro cenário importante a ser considerado. Pode ser que você não tenha recursos guardados suficientes para pagar esses impostos à vista. Nessa situação, recorrer a empréstimos ou ao cheque especial apenas para aproveitar o desconto quase nunca faz sentido. As taxas cobradas nessas modalidades de empréstimo pessoal costumam ser muito superiores às embutidas no parcelamento do próprio tributo.
No fim das contas, pagar à vista ou parcelar IPTU e IPVA não é uma questão de certo ou errado. É uma escolha que depende do seu caixa, dos seus investimentos e, principalmente, das suas reservas financeiras. Fazer essa análise de forma correta ajuda a evitar decisões precipitadas e mantém o planejamento em dia, mesmo em um período do ano que costuma pesar mais no bolso.





