Investir em Bitcoins?

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Há poucos dias, fomos surpreendidos com a notícia de que a Tesla havia alocado 8% das suas reservas em Bitcoins, o que equivale a cerca de 1,5 bilhão de dólar.

Elon Musk, CEO e maior acionista da Tesla, sempre elogiou a criptomoeda, mas essa iniciativa foi o maior de todos os apoios, fazendo com que a moeda virtual saltasse de cerca de 40 mil dólares para 48 mil dólares em um curto espaço de tempo.

A iniciativa ainda termina por abrir caminho para que outras empresas repitam o mesmo caminho seguido por Musk e apliquem seus recursos também em Bitcoins.

Mas, afinal, o que são Bitcoins?

 

O que são Bitcoins?

O Bitcoin é um registro de dados 100% digital que funciona como uma moeda alternativa. Justamente por isso, ele é bem diferente das moedas tradicionais, porque não é impresso por bancos centrais ou governos e depende de uma Exchange (corretora de criptomoedas) para ser comercializado.

Sua “emissão” ou criação se dá por um processo computacional complexo conhecido como mineração de bitcoins, de forma que todas as moedas e todas as transações efetuadas ficam registradas em um espaço conhecido como “blockchain”, que nada mais é do que uma espécie de banco de dados descentralizado que usa criptografia para registrar as transações. Essa tecnologia permite o não rastreamento da moeda.

A respeito do preço do Bitcoin, este não tem um “valor inerente”: seu preço é determinado pelo quanto as pessoas estão dispostas a pagar por ele.

 

Quais os riscos de investir em Bitcoins

Como eu expliquei em um artigo que publiquei recentemente no site da LuLacerda, no final do ano passado e início deste ano, o Bitcoin passou por grandes oscilações. Isso deixou muita gente com vontade de investir nessa moeda virtual também!

Apesar de toda a euforia, é essencial deixar muito claro que esse tipo de ativo é muito volátil e, portanto, muito arriscado. O investimento da Tesla só reforça isso, porque fez com que a oscilação fosse de aproximadamente 20%. Assim como ocorrem grandes ganhos, também podem ocorrer grandes perdas com ajustes regulares de valor.

E foi exatamente por conta da volatilidade que há poucos dias Nassim Taleb, famoso investidor e escritor de bestsellers (como o Antifrágil e a Lógica do Cisne Negro), deixou registrado em Twitter: “Estou me livrando do meu BTC. Por quê? Uma moeda nunca deve ser mais volátil do que o que você compra e vende com ela”. E terminou: “Neste aspecto, é um fracasso (ao menos por agora)”.

Para nós, brasileiros, é sempre bom lembrar que, além do risco de volatilidade, a criptomoeda carrega outro risco: a variação cambial do dólar frente ao real.

Outros riscos importantes a serem destacados, além dos que citei, são:

  • A falta de regulamentação, pois tal ativo não é emitido por nenhum Banco Central como ocorre com as moedas tradicionais.
  • As operações das exchanges (que são as corretoras de Bitcoins) também não são reguladas.
  • A possibilidade de perda ou hackeamento da conta do investidor ou do sistema como um todo.
  • Risco de cair em uma fraude aplicada por pessoas que se passam por intermediadores.
  • Se algo de errado acontecer, o investidor não terá como reclamar os seus direitos aos reguladores do mercado.

Como eu concluí no texto do site da LuLacerda, a minha recomendação para quem está pensando em investir em Bitcoin é: se for comprar esta ou qualquer outra criptomoeda, direcione um montante que você poderia perder. Não hipoteque sua casa, não pegue dinheiro emprestado nem utilize sua reserva de emergências ou de aposentadoria para comprar Bitcoin. Se quiser arriscar, arrisque, mas determine um limite previamente, para depois não se arrepender amargamente. Em outras palavras, não dependa deste dinheiro e cerque-se de todos os cuidados antes de investir.