Filantropia e Investimentos de Impacto

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Filantropia e Investimentos de Impacto

Uma importante mudança no comportamento dos brasileiros trazida pela pandemia foi a percepção da importância da filantropia e dos investimentos de impacto social. Muitas pessoas passaram a ajudar os outros por meio de doações até como uma forma de minimizar para os menos favorecidos os impactos causados pelo isolamento social.

Tive a oportunidade de mediar uma conversa pra lá de interessante sobre esse assunto na Live “Filantropia e Investimentos de Impacto nos dias atuais” promovida pela Planejar com dois especialistas no assunto: Priscila Pasqualin e James Marins.

 

Como funcionam a filantropia e os investimentos de impacto?

Na filantropia, os recursos seriam doados com o propósito de fazer o bem visando resolver problemas pontuais e emergenciais. Uma vez doados, os recursos não retornam para os doadores.

Um exemplo de filantropia que está começando no Brasil são os Endowments, fundos patrimoniais, normalmente ligados a Universidades que captam doações de ex-alunos para que os recursos sejam utilizados para investir em pesquisa científica, capacitação e equipamentos, por exemplo. Pelas regras, os recursos investidos são preservados e só podem ser utilizados os rendimentos de forma a perpetuar o patrimônio do fundo. Inclusive, no início de 2019 foi aprovada uma nova lei, a Lei nº 13.800, para regular esses fundos.

Mas, nos investimentos de impacto, a ideia é que os recursos sejam utilizados em negócios que tenham impacto social e que inclusive possam dar um retorno financeiro para quem investe.

O James comentou que. de acordo com a Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto, um investimento de impacto deve ter esses 4 critérios:

  1. Intenção de resolver um problema social ou ambiental;
  2. Solução é o principal negócio da empresa;
  3. Buscar um resultado financeiro com esse negócio; e
  4. Monitoramento do impacto.

Muitas vezes, um investimento em “early stage”, precisará ser quase de filantropia, pois o retorno é de longo prazo e com muito risco.

Em alguns momentos, o dinheiro filantrópico precisa ser utilizado para que se façam as pesquisas para inovações. Depois que a pesquisa é efetuada, o negócio é gerado, aí então são aportados novos recursos de investimento de impacto.

Não é à toa que os especialistas percebem a necessidade de uma aliança entre a filantropia e os investimentos de impacto.

 

Interesse das pessoas pela filantropia e pelos investimentos de impacto

Houve um aumento da filantropia no país que pode ser visto no site monitor de doações onde já ultrapassaram R$ 6 Bilhões os valores doados até o momento em que escrevo esse artigo. Isso sem contar os montantes que não estão mapeados, por serem pequenos valores doados no entorno de cada um, de pessoa para pessoa.

Para fazer uma comparação, a Priscila falou que pesquisas apuraram que no Brasil a média histórica de doações era de R$ 3 Bi por ano. E esse valor mais do que dobrou em pouco mais da metade do ano de 2020.

O crescimento das doações no país, neste período de crise, pode significar a criação de uma cultura nova para o Brasil, com um fluxo de doações cada vez maior para iniciativas que contribuam e façam a diferença na sociedade.

Em números globais temos aproximadamente 1.340 organizações gerenciando algo em torno de US$ 502 Bilhões em fundos de investimento de impacto, de acordo com o Global Impact Investing Nerwork, comentou James.

Na Brasil, o relatório de março de 2020 do Inside Impacto da ABVCAP demonstra que em 2018 tínhamos US$ 343 milhões alocados em investimentos de impacto. As iniciativas estão ganhando maior corpo e impacto.

Existe uma percepção maior da necessidade de fazermos algo. Do ponto de vista dos investimentos de impacto, o crescimento já vinha sendo notado, mesmo independente da Covid. Na pandemia, ficou mais clara ainda a necessidade de os investidores de alta renda investirem para ajudar a resolver os problemas sociais e ambientais. Estamos todos interconectados e isso acelerou as discussões sobre o assunto.

 

Por que aqui no Brasil ainda é tão baixo o percentual das doações?

Não há muitos incentivos fiscais aqui no Brasil, com descontos de impostos para a filantropia. Inclusive, para as doações, incide o ITCMD, que é o imposto sobre causa morte e doações.

Por outro lado, os impostos de transmissão de herança ainda são baixos por aqui em relação aos outros países. Enquanto no Brasil, a alíquota máxima está em 8%, nos EUA esse imposto pode ser de 40% a 60% do valor transmitido de herança.

Por aqui, existe um benefício em que a pessoa pode doar até 6% do valor do imposto de renda devido, mas os recursos têm que ser direcionados para aquelas iniciativas já definidas pela Receita que tenham incentivo fiscal. Essas doações podem beneficiar os Fundos dos Direitos da Criança e Adolescente, Fundos do Idoso, Projetos Culturais ou Artísticos pelo PRONAC, Fundos de Financiamento ao Cinema pelo FUNCINES, Incentivo aos Esportes.

 

Uma empresa de planejamento financeiro como um negócio de impacto

Quando decidi partir para meu voo solo em planejamento financeiro, o meu propósito era o de poder ajudar as famílias com suas finanças de forma que pudessem melhorar sua qualidade de vida. Meu trabalho ajuda as pessoas a saírem do endividamento e também a ter um maior equilíbrio financeiro e se aposentarem com mais tranquilidade.

E sendo esse o meu propósito, o de melhorar a vidas das pessoas, podemos dizer que minha empresa de planejamento financeiro é também um negócio de impacto!

E você? Já fez alguma doação para filantropia ou investiu em algum negócio de impacto?