Diversificação: o melhor investimento

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Há uma dificuldade natural em se antecipar qual será o melhor investimento para o próximo ano ou década, por exemplo. Pense: se todos soubessem que um determinado ativo renderia mais, correriam imediatamente para aquela aplicação de modo que ela ficaria tão cara que perderia toda a sua atratividade.

Como se não bastasse, algumas vezes, o melhor investimento para mim não será o melhor para você, certo?Para escolher um ativo, é preciso considerar, além do horizonte de investimento, o perfil do investidor…

Consideremos que pretendo guardar dinheiro para minha aposentadoria, enquanto você tem o desejo de trocar de carro no final do ano. Fica claro neste exemplo que o meu investimento é de longo prazo e que, portanto, eu poderia aceitar algum risco, dependendo do meu perfil de investidor.

De outro lado, o seu investimento é de curto prazo e, por isso, independe do seu perfil de risco: você deverá aplicar em algo bem conservador, para não correr o risco de ficar sem o carro. (Veja Aqui um Artigo sobre Como Montar uma Carteira de Investimentos).

Entretanto, independente do seu perfil e pretensões, existe uma regra que vem resistindo ao tempo quando estamos falando sobre o melhor investimento: a diversificação de ativos.

É muito importante montar uma carteira diversificada, pois você estará minimizando as incertezas nos seus investimentos e, consequentemente, irá mitigar os riscos envolvidos.

Mas, afinal, o que é risco? Risco é a possibilidade de as coisas não acontecerem conforme o esperado. Quanto maior a incerteza sobre a rentabilidade de um ativo, mais arriscado ele será.

Você sabia que o risco total de uma carteira de investimentos diversificada é menor do que a média ponderada dos riscos individuais de cada ativo desta mesma carteira?

Vale relembrar aquele velho ditado: “Nunca coloque todos os ovos na mesma cesta”. Se ela cair, todos os ovos serão perdidos. Daí a necessidade de investir em diversos ativos, minimizando o impacto da queda de um ativo com a subida de outro.

Então, se quisermos elaborar uma carteira bem diversificada, será preciso identificar a correlação entre os ativos, ou seja, o quanto que estes ativos movem-se juntos. Se eles não se moverem exatamente na mesma itensidade e na mesma direção, haverá um benefício na carteira devido ao efeito diversificação. Desta forma, a volatilidade (o risco) total do portfólio ficará menor.

Para facilitar esta compreensão, vamos tomar como exemplo as ações ordinárias da Petrobras (ON) e preferenciais da Petrobras (PN). Se ambas fossem alocadas em uma carteira de investimentos, não haveria muita vantagem em relação ao efeito diversificação, pois salvo em raras situações, as duas ações moveriam-se de forma muito parecida. Quando uma subisse a outra também subiria e quando uma caísse, a outra também cairia, pois são da mesma companhia. Pense no que teria acontecido com esta carteira em 2008, por exempo….

Já vi carteiras de clientes que tinham vários fundos de ações, um indexado Ibovespa, outro com ações da Petrobras e outro com ações da Vale. Os clientes achavam que suas carteiras estavam diversificadas, pois tinham três fundos diferentes, mas o que ocorria na verdade era que ambos se moviam de forma muito parecida. Como Petrobras e Vale têm uma participação alta no Índice da Bolsa, estas duas e Ibovespa têm uma alta correlação.

Um bom exemplo de aplicações que se movem em direções opostas é: um Fundo DI, que é um investimento de renda fixa pós-fixado e a Bolsa de Valores. Normalmente, quando sobem os juros, fazendo com que a rentabilidade do Fundo DI aumente, diminui a atratividade das ações, que acabam tendo uma rentabilidade negativa.

Assim sendo, uma carteira com renda fixa pós-fixada e ações é um excelente exemplo prático de carteira diversificada.

Em conclusão, se o que desejamos é aplicar o nosso dinheiro de modo sustentável, ao longo do tempo, usufruindo dos benefícios dos juros e reduzindo as chances de perda, não há melhor investimento que a diversificação. Ela é uma forte aliada de quem deseja evitar surpresas desagradáveis ao longo do caminho.