Bitcoins: descubra os riscos envolvidos!

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Nos últimos meses, temos visto muita gente interessada em Bitcoin. Parece que as criptomoedas caíram no gosto do brasileiro e muito disso acredito ter sido por conta dos fartos ganhos do ano passado……

Aliás, temos hoje um milhão de investidores em criptomoedas no Brasil e apenas quinhentos mil na Bolsa de Valores… Engraçado que muita gente não entra na Bolsa pois acha o investimento arriscado, mas tem o dobro de pessoas que compraram as tais criptomoedas em relação àquelas que resolveram investir em ações!

Porém, o sucesso e a queda recentes causam receios e dúvidas das mais variadas. Nas linhas a seguir eu discuto alguns aspectos e apresento a minha visão sobre os riscos envolvidos.

 

Como funciona o investimento em Bitcoin?

Recentemente fui entrevistada pelo Portal Finanças Femininas (clique aqui para ler o texto) para uma matéria que explicava o funcionamento das criptomoedas e discutia seus riscos inerentes.

Na entrevista, revelei que a aquisição e/ou venda dos Bitcoins precisa ser efetuada por meio de uma corretora desta criptomoeda – as chamadas exchanges – de uma forma parecida com a compra e/ou venda de uma ação. No que se refere ao preço, o mesmo é determinado pela oferta e procura, e não há lastro, nem valor intrínseco.

Os Bitcoins também podem ser adquiridos por meio de mineração. A mineração ocorre quando um computador utiliza sua capacidade de processamento para resolver uma equação criptográfica e seu dono recebe Bitcoins quando consegue solucionar esta equação.

A tecnologia por trás dos Bitcoins é o blockchain, que é uma espécie de livro de registro digital que garante a autenticidade de cada transação efetuada. Essa é uma tecnologia descentralizada, livre de intermediários e difícil de ser fraudada, já que todos os computadores passam a ter o registro da transação.

Atualmente, muitos bancos e players do mercado financeiro estão interessados nesta tecnologia blockchain, sobretudo pela agilidade e transparência que ela pode gerar no registro e controle de contratos e isso vai muito além das criptomoedas. Inclusive, nesta semana, alguns bancos informaram que já estão utilizando o blockchain para efetuar operações de derivativos e de envio de câmbio entre suas agências em diversos países.

 

Bitcoin é uma moeda?

Quando falamos em moeda, é bom lembrar que a mesma deve possuir três funções: servir como unidade de conta, meio de troca e reserva de valor.

As criptomoedas podem até servir como unidade de conta, mas por serem muito voláteis, isso limita esta função. Seria muito difícil precificar algo em Bitcoins, por exemplo: Este imóvel custa tantos Bitcoins…. Imagina que grande variação de preço em relação ao dólar este imóvel teria!

Por outro lado, atualmente poucas empresas aceitam Bitcoin como forma de pagamento. Em outras palavras, isso significa que o seu uso no dia a dia, como meio de troca, ainda é muito pequeno.

Além disso, como o seu preço depende apenas da oferta e da demanda e seu mercado é concentrado em apenas alguns investidores, se algo acontecer e a criptomoeda deixar de ser demandada, seu preço pode cair abruptamente. Este risco aumenta ainda mais com o fato de que, por ser difícil de gastá-la, a melhor forma de se desfazer dela é vendendo-a. Então, ela também não funciona muito bem como reserva de valor.

 

Quais são os riscos de se investir em Bitcoin?

As moedas virtuais não são reguladas e nem emitidas por nenhum Banco Central. Além disso, o mercado em que são negociadas também não é regulado, nem as exchanges o são.

Um dos maiores riscos é que se você ou sua corretora forem hackeados e seus Bitcoins forem roubados, como o mercado não é regulado, não há muito o que fazer para recorrer, nem a quem reclamar. Como se não bastasse, o fato deste mercado não ser regulado, facilita a lavagem de dinheiro.

Inclusive, no final do ano passado, eu estava em um evento da CVM e o presidente desta Instituição perguntou à plateia quem tinha tranquilidade em dizer que sabia 100% sobre Bitcoin… Ninguém se manifestou. Este mercado é muito novo ainda. Quem sabe no futuro as criptomoedas possam servir como diversificação, mas agora ainda é muita especulação mesmo.

 

Leticia, qual é a sua opinião sobre as Bitcoins?

As criptomoedas e principalmente o Bitcoin, que é a mais conhecida entre elas, sofreram no final do ano passado uma alta exponencial fortemente influenciada pela entrada de compradores que sequer entendem como elas funcionam e agora estão entregando grande parte deste ganho.

Isso pode ser um movimento típico de bolha, assim como ocorreu com a Mania das Tulipas no século XVII. O Banco Central do Brasil e a CVM inclusive já se manifestaram a respeito.

Não tenho como afirmar se é bolha ou não, mas o preço da moeda se multiplicou por 15 chegando a valer quase US$ 20 mil no final do ano passado, o que fez com que seu preço ficasse muito esticado e agora caiu mais de 50% desde a sua máxima chegando a valer menos de US$ 8 mil. O gráfico a seguir nos mostra o comportamento do preço dos Bitcoins de um ano atrás até ontem:

Um típico movimento de bolha ocorre quando muitos investidores não sofisticados passam a ter interesse por um ativo que eles não têm muito conhecimento e compram-no com o mero objetivo de revender mais caro depois, já que o preço vem numa vertiginosa subida.

Isto se parece com o que chamamos de efeito manada. Sem entender onde estão aplicando seu dinheiro, sem ter noção dos riscos que estão correndo, algumas pessoas seguem o fluxo acreditando que podem lucrar. O final desta história não costuma ser muito bom.

 

Para finalizar, resta deixar registrada aqui a minha recomendação para quem está pensando em investir em Bitcoin: se for comprar esta ou qualquer outra criptomoeda, que seja com um montante que você poderia perder. Não hipoteque sua casa, não pegue dinheiro emprestado e nem utilize sua reserva de aposentadoria para comprar Bitcoin. Se quiser arriscar, arrisque, mas faça-o dentro de um limite previamente determinado para não se arrepender amargamente depois.