Depois do primeiro turno das eleições, alguns investimentos registraram uma forte valorização, trazendo alegria para muitos investidores. Mas o cenário mudou depois do segundo turno. O Ibovespa despencou, acionando o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em momentos de quedas acentuadas. Os títulos do Tesouro IPCA+ também sofreram fortes desvalorizações, em razão da alta das taxas de juros, e as negociações no Tesouro Direto chegaram a ser temporariamente suspensas.
Boa parte dos ganhos anteriores desapareceu em poucas horas. E, provavelmente, a tristeza provocada por essas perdas foi muito maior do que a alegria que os investidores sentiram quando seus investimentos se valorizaram.
Depois de movimentos tão intensos, é possível que o mercado passe por ajustes, corrigindo parte dos exageros da reação inicial. Mas não sabemos quando ou em que intensidade isso poderá ocorrer. Por isso, é importante lembrar que ações são investimentos de longo prazo. Quem investe na Bolsa precisa estar preparado para enfrentar períodos de volatilidade, sem deixar que as oscilações de poucos dias determinem suas decisões.
Isso acontece por causa de um fenômeno conhecido como aversão à perda, estudado pelos psicólogos Daniel Kahneman e Amos Tversky, pesquisadores da economia comportamental.
Sobre a dor da perda…
Segundo esses estudiosos, a dor de perder determinada quantia pode ser aproximadamente 2,25 vezes maior do que a satisfação de ganhar o mesmo valor.
Imagine alguém que tinha R$ 100 mil investidos antes das eleições. Com a valorização do mercado, seu patrimônio chegou a R$ 110 mil. Alguns dias depois, com a queda dos preços, voltou aos R$ 100 mil.
Embora o patrimônio tenha retornado ao valor inicial, o investidor provavelmente sentiu que perdeu dinheiro. Isso acontece porque, além de as perdas provocarem um desconforto maior do que a satisfação proporcionada pelos ganhos, os R$ 110 mil passaram a ser seu novo ponto de referência. Qualquer valor abaixo disso já pode ser percebido como uma perda, mesmo que, poucos dias antes, ele tivesse exatamente aquele patrimônio.
E é justamente essa sensação de perda que pode levar o investidor a tomar decisões precipitadas, como vender seus investimentos durante uma queda, tentando evitar prejuízos ainda maiores.
Como reduzir a dor da perda?
A boa notícia é que a dor da perda por ser reduzida… A solução é construir uma carteira diversificada, distribuindo os investimentos entre diferentes classes de ativos, de acordo com os objetivos, a tolerância ao risco e o horizonte de cada pessoa. A diversificação não impede que ocorram perdas, mas ajuda a reduzir a exposição a determinados riscos.
Uma carteira diversificada e balanceada comportará ativos com correlação negativa. Em outras palavras, quando um determinado ativo estiver em queda, outro possivelmente estará em alta. Isso reduzirá significativamente a dor da perda. A título de exemplo, ontem, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, despencou 13,88% em um único dia, o dólar subiu 8,21%. Quando uma parte da carteira sofre perdas, outra pode ajudar a compensá-las, reduzindo o impacto sobre o patrimônio como um todo.
Tolerância ao risco
Também é fundamental conhecer a própria tolerância ao risco. Muitas pessoas acreditam que conseguem suportar oscilações expressivas enquanto seus investimentos estão se valorizando. Mas é durante as quedas que descobrem como realmente reagem.
É importante lembrar que sentir desconforto diante de uma perda é natural e não significa necessariamente que a estratégia esteja errada.
Se a carteira está diversificada, adequada aos objetivos, ao prazo dos investimentos e ao perfil de risco, uma queda momentânea do mercado não deveria ser motivo suficiente para abandonar o planejamento.
Por outro lado, se as oscilações estão provocando uma angústia difícil de suportar, talvez seja necessário reavaliar se os riscos assumidos são realmente compatíveis com o perfil do investidor.
O importante é não deixar que o medo provocado pelas perdas determine as decisões. Afinal, as oscilações fazem parte dos investimentos, mas vender ou manter uma aplicação deve ser uma decisão baseada no planejamento financeiro, e não apenas nas emoções do momento.





