Quando pensamos em nos preparar financeiramente para a aposentadoria, é comum começarmos pelos investimentos. Algumas pessoas fazem uma previdência privada, outras investem todos os meses e acompanham o patrimônio crescer. Tudo isso é importante, mas ter investimentos não significa necessariamente ter um plano para a aposentadoria.
Aposentadoria: que vida você quer ter?
Antes de calcular quanto vai investir, é importante pensar na vida que quer ter no futuro. Com que idade você gostaria de parar de trabalhar? Ou pretende apenas diminuir o ritmo? Qual padrão de vida gostaria de ter? Pretende viajar mais? Continuar ajudando os filhos? Permanecer na mesma casa?
Essas respostas ajudam a estimar quanto será necessário para financiar essa fase da vida. Não precisamos saber exatamente quanto vamos gastar daqui a 20 anos, mas precisamos ter alguma referência para saber se estamos caminhando na direção certa.
A partir da renda que pretendemos ter no futuro, podemos estimar o patrimônio necessário. Inflação, rentabilidade e longevidade entram nessa conta.
Aposentadoria: de onde virá o dinheiro?
Na aposentadoria, essa renda pode vir do INSS, de uma previdência privada, dos investimentos, de imóveis alugados ou até da continuidade do trabalho, ainda que em um ritmo menor.
Muita gente acredita que basta ter uma previdência e que tudo estará resolvido. Mas, ter uma previdência não é o mesmo que ter um plano de aposentadoria. Ela é apenas uma das peças.
Inclusive, é possível ter uma boa carteira de investimentos e nunca ter feito as contas para saber se aquele patrimônio será suficiente para sustentar o padrão de vida desejado.
Aposentadoria: quanto será necessário?
Para quem quiser fazer uma primeira simulação, tenho no meu site uma calculadora de independência financeira que estima quanto será necessário acumular para gerar determinada renda em perpetuidade. Aliás, já expliquei sobre a perpetuidade aqui nesse outro artigo do site.
Também é preciso entender quanto do patrimônio estará realmente disponível para isso. O imóvel onde você mora, por exemplo, pode representar uma parcela importante do seu patrimônio, mas não necessariamente estará disponível para gerar renda na aposentadoria. Da mesma forma, você pode ter outros objetivos para aquele dinheiro que está investido hoje, como uma viagem, ou a troca do seu carro.
Só depois de entender quanto será necessário, de onde virá a renda e quais recursos estarão disponíveis faz sentido avaliar se a carteira de investimentos está adequada a esse plano. O prazo, o risco, a liquidez e a tributação devem compor uma estratégia única.
Aposentadoria: o momento do desinvestimento
E o planejamento não termina quando atingimos o patrimônio necessário. Em algum momento, será preciso transformar os recursos acumulados ao longo dos anos em renda para financiar a aposentadoria. Já escrevi sobre como essa mudança pode ser difícil até do ponto de vista emocional, porque passamos boa parte da vida aprendendo a poupar e vendo o patrimônio crescer.
Por isso, quando analiso a aposentadoria dentro de um planejamento financeiro completo, não olho apenas para os investimentos. É preciso entender o padrão de vida, o patrimônio, as fontes de renda, os investimentos, a previdência, os seguros, os impostos e até algumas decisões sucessórias. Uma escolha feita em uma dessas áreas pode afetar as outras.
No fim, investir é uma parte importante da preparação para a aposentadoria. Mas o planejamento começa quando pensamos na vida que queremos ter no futuro e continua quando decidimos como o patrimônio que construímos será utilizado para financiá-la.





