Mudança de paradigmas: é hora de mudar de benchmark

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Em finanças, benchmark é o termo de mercado para o índice de referência que será utilizado para comparar a rentabilidade relativa de um investimento ou uma carteira de investimento em relação a esse índice.

Como comparar o seu investimento com o benchmark

No Brasil, é comum utilizar o CDI como indicador de referência nas análises e comparações para os investimentos em renda fixa e multimercados. Já para o mercado de ações, costuma-se utilizar o Ibovespa como parâmetro de comparação.

Entendo que faz sentido comparar produtos de investimento com seus benchmarks, afinal, a rentabilidade daquele produto deve ser compatível com o tipo de investimento escolhido.

Imagina que você recebeu o extrato do seu investimento e não sabe se aquele rendimento foi bom ou ruim. Ao compará-lo com seu benchmark, pelo menos terá uma ideia se a rentabilidade foi melhor ou pior do que aquele índice de referência.

A título de exemplo, imagine que um fundo de renda fixa tenha rendido 6% no ano de 2019 enquanto o seu benchmark, o CDI, rendeu 5,97%. Isso significa que esse fundo teve uma rentabilidade relativa um pouco melhor do que o seu benchmark.

Mas, e se o nosso exemplo fosse o de um fundo de ações que tivesse rendido esses mesmos 6%, enquanto o Ibovespa no ano passado valorizou 31,58%? Seria possível afirmar que esse fundo teve uma performance bem abaixo do seu parâmetro de comparação. Os dois fundos renderam o mesmo percentual de forma absoluta, porém um foi um pouco melhor do que o seu benchmark e o outro foi bem pior.

O que importa aqui não é somente a rentabilidade absoluta, mas a rentabilidade relativa em relação ao benchmark de cada investimento, até para saber se aquele determinado investimento está performando bem ou não.

Porém, embora este seja o padrão por costume, acredito que as pessoas e as instituições financeiras deveriam rever seus conceitos e parar de usar o CDI como benchmark para medir a rentabilidade das carteiras de investimento. (Leia esse texto aqui para saber mais sobre o que é o CDI.)

Duas perguntas surgem desta minha sugestão: por que eu defendo isso? E qual seria o indicador que, na minha concepção, deveria assumir a posição de benchmark da carteira de investimentos?

 

Por que o CDI não deve ser mais o benchmark de rentabilidade para sua carteira de investimentos?

Vemos no mercado o costume que as pessoas têm em comparar a rentabilidade de suas carteiras com o CDI: “Olha… Minha carteira está rendendo 120% do CDI!” – ou ainda: “Meus investimentos renderam mais do que o CDI nesse mês.”

Esta ainda é uma realidade, mas quando se fala da sua carteira de investimento como um todo, ela precisa mudar… Sabe por que? Porque o CDI não necessariamente vai representar um ganho real de seus investimentos, pois não há garantia de que este índice será maior do que o aumento geral dos preços na economia.

Desta forma, do ponto de vista pessoal, é importante saber se houve aumento do seu poder de compra ao longo dos anos. É isso que vai garantir que o seu patrimônio aumentou durante um determinado período!

 

Que indicador deve substituir o CDI como benchmark?

A inflação deveria ser a meta mínima de rentabilidade de uma carteira de investimento. Digo isso porque é a inflação, e não o CDI, que determina se o investidor perdeu ou ganhou poder de compra em um determinado período de tempo.

E, como seria muito difícil cada pessoa calcular a sua própria inflação, o melhor na minha opinião, seria utilizar o IPCA como parâmetro. (Leia aqui nesse texto que explica porque o IPCA seria o melhor índice de inflação a ser utilizado.)

Se, a título de exemplo, a rentabilidade de um portfólio de investimentos for superior à inflação, haverá ganho de poder de compra para o investidor. Se, por outro lado, a carteira perder para a inflação, haverá perda do poder de compra.

Assim sendo, o benchmark para uma carteira de investimentos deveria ser a inflação. E, preferencialmente, para garantir algum ganho de poder de compra ao investidor, a rentabilidade deveria ser a inflação mais alguma taxa de juros acima dela.

É isso o que acontece, por exemplo com a NTN-B (ou Tesouro IPCA). A rentabilidade deste título do governo é dada pela inflação do período mais uma taxa de juros prefixada. Isso quer dizer que, se o investidor comprar esse título e permanecer com ele até o final, terá a garantia de que esse investimento seguirá rendendo mais que a inflação até o seu vencimento. Isso assegura o aumento do poder de compra do capital ali investido.

 

E então… O que você acha? É coerente continuar usando como benchmark o CDI, que não representa de fato o ganho ou a perda de poder de compra real de sua carteira de investimento, ou você concorda que a inflação deve assumir esse posto?