Há alguns dias, li uma frase que me fez pensar sobre uma escolha minha a respeito da liberdade financeira e que também costumo conversar com meus clientes: viver um degrau abaixo do que poderia.
Inclusive esse foi o assunto do meu texto na Coluna da Lu Lacerda na Veja Rio dessa semana. Leia aqui.
Não estou falando em deixar de aproveitar a vida ou economizar o máximo possível e muito menos em manter aquele padrão de vida para sempre, independentemente do aumento da renda. Mas em aprender a ficar satisfeito com o suficiente, sem transformar toda a renda em novas necessidades que passam a parecer essenciais para viver.
A liberdade financeira e o aumento de ganhos
Quando os ganhos aumentam, é natural querermos melhorar o padrão de vida. Podemos viajar mais, morar melhor, frequentar bons restaurantes, contratar serviços que nos trazem conforto. O problema é quando os gastos vão crescendo junto com a renda e ocupam todo o espaço disponível.
Uma pessoa que ganha R$ 30 mil e gasta todo esse valor pode estar com a vida financeira em aparente equilíbrio. Não tem dívidas, paga as contas em dia e não gasta mais do que ganha. Porém, não consegue guardar dinheiro para formar patrimônio.
Se essa mesma pessoa mantiver um padrão de vida de R$ 25 mil, os R$ 5 mil restantes podem ser investidos para o futuro.
E aqui acontece algo interessante: viver um degrau abaixo ajuda duas vezes na construção da independência financeira. Primeiro, porque sobra mais dinheiro para investir. Segundo, porque uma pessoa acostumada a viver com R$ 25 mil precisará de menos recursos para manter seu padrão de vida no futuro do que outra que incorporou os R$ 30 mil aos gastos mensais.
Dessa forma, enquanto uma pessoa acumula patrimônio mais rapidamente e precisa de menos dinheiro para se aposentar, a outra tem menos recursos disponíveis para investir e precisará acumular um patrimônio maior. O padrão de vida atua dos dois lados da equação da liberdade financeira!
A liberdade financeira e alguns ganhos no processo
Guardar recursos para o futuro, não significa apenas poupar para a aposentadoria. Essa reserva nos dá liberdade de escolha ao longo do caminho também. Podemos querer diminuir o ritmo de trabalho, mudar de profissão, tirar um período sabático, ajudar os filhos ou simplesmente ter tranquilidade para enfrentar uma fase em que a renda seja menor.
Além disso, quanto mais caro é o padrão de vida que construímos, mais dependentes ficamos da renda necessária para sustentá-lo. Por isso, talvez valha a pena pensar no que é suficiente para cada um de nós. O suficiente não precisa ser pouco, pode incluir conforto, viagens, restaurantes, hobbies e tudo aquilo que realmente valorizamos. A questão é não precisar elevar continuamente o padrão de vida só porque passamos a ganhar mais.
A liberdade financeira e um efeito pouco citado
Existe ainda um efeito curioso nessa escolha: quem consome menos do que poderia hoje, não necessariamente consumirá menos ao longo da vida. O dinheiro poupado quando investido rende juros, aumentando os recursos disponíveis no futuro.
E, se compararmos com quem gasta mais do que ganha, a diferença é ainda maior. Nesse caso, a pessoa antecipa o consumo e paga juros por isso. Parte da renda que poderia ser usada para consumir no futuro acaba sendo destinada ao pagamento do empréstimo para o banco.
Por isso, viver um degrau abaixo não é simplesmente economizar ao máximo. É estar satisfeito com o suficiente para aproveitar o presente e, ao mesmo tempo, fazer escolhas que construam uma vida financeira mais tranquila ao longo do caminho.
E você, já parou para pensar qual seria o seu “degrau abaixo”? Quanto do seu padrão de vida atual representa aquilo que realmente importa para você? E quanto poderia se transformar em mais liberdade no futuro?
Talvez a liberdade financeira comece justamente aí: na escolha consciente de não precisar gastar tudo o que podemos.





