Inadimplência no pagamento de dívidas renegociadas é a maior desde o fim de 2011

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Inadimplência no pagamento de dívidas renegociadas é a maior desde o fim de 2011
Inadimplência no pagamento de dívidas renegociadas é a maior desde o fim de 2011

 

O Jornal Nacional noticiou ontem que o volume de dívidas renegociadas e não pagas chegou a 22,4% em março – o maior patamar desde dezembro de 2011, quando o banco central começou a fazer esta medição. O nível de inadimplência no crédito renegociado está atualmente três vezes maior que a inadimplência em geral, de 7,6%.

É o caso do consumidor inadimplente que renegocia sua dívida e fica devendo de novo. Para cada R$100 renegociados, R$22 não são pagos.

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Fui convidada para dar uma entrevista explicando como vencer esse problema: 

  • Gostaria que você explicasse o que esse número de 22,4% de inadimplência nas dívidas renegociadas quer dizer. É um número alto? O que ele representa?

Este número é alarmante: mais de 20% dos que já renegociaram suas dívidas, ou seja, já não conseguiram pagar suas parcelas em algum momento, estão novamente nesta situação, ou seja, uma inadimplência recorrente. Isso representa que aquele brasileiro que não tinha acesso ao crédito no passado – portanto não tinha experiência no assunto – foi incentivado a se endividar devido aos juros mais baixos e propagandas do governo. Este indivíduo acabou contraindo mais dívidas do que sua capacidade de pagamento, já que o ideal é que as parcelas destes empréstimos não passem de 30% de sua renda mensal líquida.

Para agravar o problema, o aumento da inflação tem corroído o poder de compra dos consumidores, fazendo com que após o pagamento de suas necessidades básicas, não sobre mais recursos para a quitação das dívidas.

  • O que a pessoa deve fazer quando está inadimplente? Qual a melhor forma de renegociar uma dívida?

Este inadimplente, que já renegociou sua dívida, está provalvelmente em desequilíbrio financeiro, ou seja, deve estar gastando mais do que sua renda e este é o real problema. Isto vai fazer com que não consiga pagar as parcelas do financiamento, e esta dívida acaba virando uma bola de neve, aumentando cada vez mais.

A primeira medida a ser tomada é discriminar todos os gastos num papel ou em uma planilha. Começar cortando os desperdícios, depois passar a evitar os supérfluos e por último economizar nos essencias ou básicos. Em seguida, é preciso colocar limites para cada item e seguí-los à risca. Será necessária muita disciplina. É como em uma dieta, o começo é sempre mais difícil, mas depois dos primeiros resultados positivos, a pessoa vai se animando e se acostumando com sua nova realidade e tudo fica mais fácil.

E, por último, será recomendável uma renegociação, procurando linhas de crédito mais baratas com os bancos onde foram contraídos os empréstimo ou até em outros bancos que possam comprar esta dívida, evitando assim o pagamento de novo IOF. Uma outra opção são as cooperativas de crédito, que costumam ter taxas de juros mais baratas.

Para estas pessoas que não conseguem controlar seus impulsos e não param de consumir, será necessário aprender a viver dentro de suas possibilidades, ou seja, adaptar a sua vida (nível de consumo) ao seu salário, evitando os novos financiamentos.

O que deve ditar o limite do consumo é a restrição de sua renda e não simplesmente o que a pessoa deseja consumir.

Assista ao vídeo a seguir: