O trade-off entre gastar ou poupar…

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Existe um conflito clássico em finanças que é o dilema entre gastar ou poupar. Basicamente, a toda hora nos deparamos com esse trade-off entre consumir ou guardar para o futuro. Quando consumimos, não poupamos e quando poupamos, não consumimos. Pelo menos não com aquele mesmo dinheiro.

Este foi o assunto do meu último artigo na Revista Em Condomínios (clique aqui para ler o artigo completo da revista).

Estas escolhas também podem ser entre bens e/ou serviços:

Aprendemos em Economia que sempre precisamos fazer escolhas entre opções conflitantes (trade-off). Quando escolhemos comprar um determinado bem com o nosso dinheiro, estamos abrindo mão de comprar um outro bem, ou contratar um outro serviço. Mesmo quando aparentemente não estamos fazendo nenhuma escolha, estamos optando por permanecer na mesma situação, manter o “Status Quo”.

Ocorre que tais decisões acerca de opções conflitantes são bem mais comuns do que normalmente imaginamos. Basta pensar que você, assim como eu, toma este tipo de decisão várias vezes ao longo do dia… Sim! Isso mesmo! Toda vez que eu opto por ficar em casa dormindo no final de semana, estou abrindo mão de ir à praia ou malhar. Não tem jeito, se escolho uma coisa, tenho que abrir mão de outra.

Se você nunca tinha pensado nisso, talvez não esteja dando o devido valor às escolhas que vem fazendo no seu dia-a-dia.

 

Trade-off: os fatores que influenciam nossas decisões…

Muita gente não percebe que pode sofrer influências de fatores externos que acabam direcionando suas decisões.

E o pior é que na maioria das vezes essas influências são em direção ao consumo, dado o grande poder das técnicas de marketing, que sempre buscam nos inclinar a gastar, mesmo quando não necessitamos realmente de um produto ou serviço.

Já reparou que as sobremesas nos restaurantes à quilo são logo a primeira coisa que você vê no balcão quando vai escolher sua comida? Pois é, neste primeiro momento, sua bandeja ainda está vazia e você não está com peso na consciência e acha que pode pegar um docinho. Imagina se depois de encher o prato de fritura você iria ter coragem de pegar um pudim….mas, depois que o pudim já está na sua bandeja…. aí, duvido que você o devolva, mesmo se tiver feito o mesmo prato enorme do exemplo anterior.

O governo também tem grande capacidade de influenciar as nossas decisões entre poupar ou consumir e, um dos instrumentos que ele possui para exercê-la, é o controle sobre a taxa básica de juros da economia (Taxa Selic), que no Brasil é definida pelo COPOM (Comitê de Política Monetária).

Por exemplo: quando esta taxa está mais elevada, os investidores preferem investir seus recursos, pois receberão juros mais altos e desta forma sobrarão menos recursos para consumir. Por outro lado, com juros mais altos, as parcelas dos financiamentos ficam mais altas e mais difíceis de caber no bolso do consumidor, que restringe seu consumo também.

Quando o governo reduz esta taxa, ocorre o efeito inverso: com juros mais baixos, há menos incentivo a investir e as pessoas gastam mais. As parcelas também ficam menores e há um incentivo ao consumo financiado.

Trazendo isso para o nosso dia a dia, se você pensa em comprar um carro financiado quando a Taxa Selic está mais elevada, você terá que pagar mais por ele. Por conta disso, talvez você resolva adiar a sua decisão de compra.

Se a Taxa Selic cai, o financiamento do seu futuro carro se torna mais barato e isso pode ser o suficiente para lhe estimular a fechar o negócio.

Ter a plena consciência do trade-off entre gastar e poupar pode nos ajudar a tomar decisões de melhor qualidade, propiciando uma análise mais abrangente sobre a verdadeira necessidade do consumo. É sempre bom lembrar dessas opções conflitantes na hora de decidir.