Crise política e a minha carteira de renda fixa

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Nas últimas semanas, temos assistido ao agravamento da crise política em decorrência da divulgação de áudios e vídeos da delação de Joesley Batista, dono da JBS, que atinge diretamente o Presidente Michel Temer, além de diversos aliados e pessoas da sua confiança.

Embora muitas das consequências econômicas da intensificação da crise política ainda sejam desconhecidas, algumas já se fizeram notar, como foi o caso do aumento do dólar e dos juros e da queda da Bolsa de Valores.

Mesmo que a crise pareça ruim, ela vem gerando algumas oportunidades de investimento por um lado e a necessidade de ajuste nas carteiras em alguns casos.

 

O que aconteceu com os juros após a intensificação da crise política?

A crise política contribuiu para o aumento das incertezas sobre o mercado brasileiro. Incertezas estas que recaem justamente sobre a expectativa quanto à aprovação das reformas tão importantes para o equilíbrio das contas públicas do governo brasileiro, como é o caso da reforma da Previdência.

Diante deste novo cenário, os juros subiram e alguns papéis oferecidos pelo Tesouro Direto ficaram mais interessantes… Este é o caso das NTN-B’s, agora chamadas de Tesouro IPCA+ no Tesouro Direto.

Para se ter uma ideia, estes papéis estavam pagando juros de cerca de 5% acima da inflação em abril deste ano. Nos primeiros dias após a divulgação dos áudios e vídeos da JBS, eles chegaram a bater 6% de taxa, recuando para 5,5% alguns dias depois.

Se pensarmos que estes títulos são garantidos pelo Governo, conseguir juros reais, ou seja, acima da inflação de mais de 5% ao ano para o longo prazo, é realmente muito interessante.

Porém, os preços dos títulos variam de forma inversa às suas taxas: quando os juros sobrem, os preços dos títulos caem, e consequentemente, o saldo do investimento também cai.

Falei recentemente sobre o assunto em um artigo publicado no Jornal Valor Econômico: “Cuidado! Há risco de perder dinheiro no Tesouro Prefixado”, que apesar de o texto tratar de título prefixado, o racional vale também para o Tesouro IPCA+.

Desta forma, ressalto que este investimento possui riscos de perda e, portanto, não deve ser comprado por qualquer pessoa. Trata-se de uma boa oportunidade para quem pensa no longo prazo e para o investidor que tem o perfil de risco não muito conservador.

Para quem se planejou e montou uma carteira de investimentos bem alinhada ao seu perfil de risco e horizonte de investimento, não há motivos para ficar preocupado com as oscilações do curto prazo. Esta pessoa não deve seguir a manada e sair de suas posições. Quem sabe pode até aproveitar as boas taxas para comprar um pouco mais destes títulos, caso tenha espaço.

Porém, quem sofreu com as variações na carteira decorrentes da volatilidade destes momentos de crise, provavelmente precisará adequar seu portfólio, pois deve ter um perfil mais conservador do que sua carteira de investimentos e deveria tomar as medidas para a adequação da mesma. Talvez trocar as NTN-B’s por LFT’s possa ser uma boa solução para diminuir o risco do seu portfólio.

De um modo ou de outro, recomendo que os investidores interessados busquem mais informações e que consultem um planejador financeiro para tomar uma decisão bem fundamentada de como alocar sua carteira de investimentos.

Se desejar ler mais a respeito, baixe o PDF da matéria distribuída pela Agência CMA na semana passada, para a qual colaborei (clique aqui para baixar, ou clique no botão a seguir).

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